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COMO A TECNOLOGIA PODE AJUDAR O TRATAMENTO DO DPAC/TPAC

Foto do escritor: Afinando o Cérebro
Afinando o Cérebro
9 de abr. de 2020
5 min de leitura

Atualizado: 15 de set.

Diversas tecnologias vêm sendo utilizadas em todo o mundo no combate à pandemia da Covid-19, causada pelo novo coronavírus, que já se espalhou por mais de 150 países. Algumas dedicadas à oferecer serviços em situações de isolamento, outras a serviço da ciência, que trabalha incessantemente em pesquisas que buscam tratamentos efetivos e a cura.




A lista é grande e vai desde o uso de drones, pedindo à população para ficar em casa ou para fazer entregas de medicamentos em hospitais, a diferentes tipos de robôs, que atuam em hospitais, hotéis e como acompanhantes de idosos em isolamento. Na cidade de Hangzhou, na China, em um hotel que concentrou mais de 200 pessoas em isolamento, um robô circulava pelos corredores entregando refeições nas portas dos quartos. A lista inclui ainda uso de impressoras 3D para produção de válvulas utilizadas em respiradores artificiais, como aconteceu em Brescia, na Itália, onde um grupo de profissionais produziu em três horas um protótipo que logo depois passou a ser reproduzido em escala, ao custo de menos de 1 euro por unidade.

Há muitas outras possibilidades em testes e em funcionamento. Assim, podemos afirmar que a tecnologia é essencial não apenas no combate à pandemia da Covid-19, mas também como fonte de solução para as demandas que surgem a todo instante.


E em nossa área de atuação? Como a tecnologia pode ajudar no tratamento de pacientes com Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC)?


Recentemente, o Conselho Federal de Fonoaudiologia liberou uma Recomendação Especial para garantir que os cuidados de saúde considerados urgentes ou essenciais sejam mantidos, liberando a teleconsulta e o telemonitoramento para os fonoaudiólogos no Brasil, até o final abril de 2020. Assim, pacientes que estão em terapia podem continuar a ser atendidos e não param o processo de estimulação das habilidades auditivas.


Que programas posso usar para o teleatendimento e o telemonitoamento?

Os atendimentos à distância são feitos por meio de ferramentas online de comunicação. Após a regulamentação do teleatendimento para fonoaudiólogos no Brasil, é necessário ficar atento às normas de segurança e confidencialidade de dados das plataformas a serem utilizadas, a fim de garantir a confidencialidade do atendimento e proteção dos pacientes. Conheça as recomendações para a Telessaúde em Fonoaudiologia.


Já entendi sobre as plataformas para teleatendimento e telemonitoramento. Mas como a tecnologia pode ajudar no tratamento do TPAC?

Como vimos, a tecnologia está presente em diversas situações de nossas vidas. Muitos de nossos pacientes, principalmente os mais jovens, aprenderam rapidamente a encarar com naturalidade o mundo virtual, que já se tornou uma extensão da realidade. Então, porque não aproveitar e inserir a tecnologia na prática clínica?

A Fonoaudiologia tem acompanhando as mudanças tecnológicas, investido em pesquisas e desenvolvido softwares para uso em terapia. Dados de estudos mostram que a utilização da tecnologia no ambiente terapêutico propicia inúmeros benefícios. Além de ser um meio de comunicação interativo, oferece estímulos multissensoriais com uso de imagens, sons, animação e ambientes virtuais variados oferecendo diferentes oportunidades de aprendizagem, além de facilitar a troca de experiências e viabilizar diversas formas de expressão (oral, escrita e visual).

Uma pesquisa que avaliou a efetividade do uso de um software na terapia com pacientes de TPAC, mostrou que os pacientes desenvolveram sua atenção auditiva e gradativamente conseguiram assimilar as informações retidas em suas memórias, auxiliando no desenvolvimento de habilidades auditivas.


Vamos relembrar quais são as principais habilidades auditivas que podem ser afetadas no TPAC?

O Transtorno do Processamento Auditivo Central está relacionado a dificuldades no processamento perceptivo da informação auditiva no sistema nervoso central, que afetam o desempenho em uma ou mais das habilidades, ocasionando falhas na compreensão integral da mensagem sonora recebida. Assim, pode ser mais difícil escutar em ambientes ruidosos, como na sala de aula, por exemplo. As dificuldades apresentadas podem estar associadas ou não a problemas de atenção e memória, principalmente se o paciente está em idade escolar. Dentre as principais habilidades auditivas que podem sofrer alterações em casos de TPAC estão:


Localização sonora: capacidade de o cérebro localizar a direção de onde vem determinado som. Necessária na sala de aula, quando o professor começa a explicar uma matéria e precisamos direcionar nossa atenção, ou para manter o foco de atenção em uma pessoa quando há outros estímulos no ambiente.


Resolução temporal: percepção de variações do som em uma pequena amostra de tempo. Tais variações podem envolver mudanças na intensidade, frequência e duração dos estímulos. É uma habilidade que nos permite perceber as diferenças entre os sons produzidos a partir de movimentos parecidos, mas que diferenciam sílabas e palavras como “pato” e “bato” ou variações de ênfases, como sílabas tônicas ou terminações interrogativas, afirmativas e exclamativas.


Fechamento auditivo: nos ajuda a entender o que foi dito quando a qualidade do som não é muito boa, quando o som é distorcido ou completar informações que estão faltando dentro de um contexto. Precisamos dessa habilidade em situações como a escola, quando o professor explica a matéria e você se distrai perdendo uma palavra e precisa voltar a prestar atenção no que foi dito, e até mesmo para conseguir compreender uma pessoa que está gripada ou com a voz rouca.


Figura Fundo: é a habilidade necessária para que possamos compreender a comunicação quando o ambiente está ruidoso. Por exemplo, quando você está ouvindo uma música e um amigo está falando ao mesmo tempo ou na escola, quando o professor está falando e ao redor existem sons competitivos vindos do corredor ou da rua, por exemplo. Nessas situações o cérebro precisa ser capaz de selecionar a informação que julgamos mais importante.


Estimulando habilidades auditivas alteradas

Diversas pesquisas científicas já comprovaram que as habilidades auditivas podem ser aprimoradas com treinamento e uma melhor performance está relacionada diretamente com a capacidade de modificação do sistema nervoso central.

Há muitas formas de estimular as habilidades auditivas. Para que o treino seja efetivo, o ideal é que as atividades propostas façam parte do contexto em que o paciente está inserido, pois assim haverá maior engajamento e, quanto mais treinar, mais as habilidades alteradas serão desenvolvidas ou aprimoradas.


Como a tecnologia entra nessa história?

Como já dissemos, a tecnologia está presente em todos os momentos da vida, se o que buscamos para o paciente é engajamento em situações relacionadas ao contexto em que vivem, nada melhor que se valer de ferramentas que já fazem parte do cotidiano deles, como computadores, tablets e smartphones, não apenas para tratar de habilidades alteradas, como também para estimular e atuar na prevenção, quando há sinais de risco ou suspeita de alteração no processamento auditivo central.

A tecnologia nos oferece uma série de possibilidades para tornar a estimulação das habilidades auditivas mais divertida e interessante aos pacientes. No entanto, é importante lembrarmos que ela não substitui o raciocínio do fonoaudiólogo. A proposta é que o uso de novas ferramentas esteja aliada a um plano personalizado de estimulação auditiva.

Existem diversas opções de jogos e atividades direcionadas para o treinamento auditivo por meio de aplicativos, softwares e plataformas online com atividades direcionadas para todas as idades.



 
 
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