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Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Em 2007, a Organização das Nações Unidas definiu o dia 2 de abril como Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Ao criar uma data específica sobre a importância de conscientizar a população sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a ONU teve como objetivo difundir informações e enfrentar os preconceitos e estigmas que existem em relação às pessoas com autismo, promovendo reflexões, aprofundamento e diálogo sobre o tema. Neste ano, o tema escolhido foi “Mais informação, menos preconceito”. Afinal, quanto mais se conhece sobre determinada condição, melhor será a capacidade de compreender, acolher e agir em prol da população de pessoas que TEA.


Uma população que não para de crescer, de acordo com o último levantamento do Center of Diseases Control and Prevention (CDC), o Centro de Controle de Prevenção dos Estados Unidos, por meio da Rede de Monitoramento do Transtorno do Espectro Autista e Desenvolvimento (ADDM), cerca de 1 em cada 36 crianças foi identificada com TEA.


Embora não haja dados oficiais, estima-se que no Brasil 2 milhões de pessoas sejam autistas, o que representa 1% da população. Como este número não é oficial, em 2019 foi sancionada a Lei 13.861, que obriga o IBGE a perguntar sobre o autismo no censo populacional. Desta forma, será possível saber quantas pessoas apresentam TEA e como se dá a distribuição dessa população no país para definição de políticas públicas.


Afinal, o que é o Transtorno do Espectro Autista?


Trata-se de um distúrbio do neurodesenvolvimento, caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo ainda apresentar um repertório restrito de interesses e atividades. Os primeiros sinais do TEA surgem na infância, geralmente nos primeiros cinco anos de vida da criança, e tendem a persistir na adolescência e na idade adulta.


O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5, referência mundial de critérios para diagnósticos, aponta ainda que pessoas com TEA podem apresentar interesses fixos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Embora as dificuldades sejam comuns a todas as pessoas com TEA, cada uma delas será afetada em intensidades diferentes, por este motivo o correto é afirmar que estão dentro de um espectro.


O diagnóstico de autismo é clínico, ou seja, não existe um exame laboratorial ou de imagem que possa comprovar a presença do transtorno. Ele deve ser realizado por um profissional de saúde especializado, como um neuropediatra ou psiquiatra infantil. O diagnóstico do TEA segue critérios definidos internacionalmente, com avaliação completa da criança, entrevista com os pais e cuidadores e uso de escalas validadas.


Os pais devem procurar o auxílio de um especialista, sempre que perceberem alteração no comportamento e desenvolvimento da comunicação de seus filhos, pois embora o TEA seja uma condição permanente, que acompanhará a pessoa por toda a vida, existem diversos tratamentos para auxiliar nessa jornada. O acompanhamento especializado desde o início da infância pode amenizar significativamente os sintomas.


O tratamento é multidisciplinar, envolvendo diversos profissionais como pediatra, neurologista, psiquiatra, fonoaudiólogo, enfermeiro, terapeuta ocupacional, psicólogo, educador físico, entre outros. Como há diversas manifestações para o autismo e em graus variados, o tratamento deve ser individualizado considerando a condição de cada um.


Além disso, as pessoas com TEA são assistidas pela lei para que possam ter direitos e acesso à saúde garantidos. A Lei Berenice Piana (12.764/12) criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, que determina o direito dos autistas a um diagnóstico precoce, tratamento, terapias e medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), acesso à educação e à proteção social, ao trabalho e a serviços que propiciem a igualdade de oportunidades.


Para além das descrições de características ou estatísticas, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo chama a sociedade para um olhar mais atento para as pessoas com TEA, pois elas são diversas e únicas. O conhecimento é uma ferramenta valiosa contra o preconceito. Vamos juntos apoiar essa causa?



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