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  • Afinando o Cérebro

Escuta ativa no desenvolvimento infantil

O termo escuta ativa tem sido muito difundido nos últimos anos. A definição vem da palavra escutar que tem origem no latim “ascultare” e significa ouvir com atenção. Mas, ouvir atentamente vai muito além de ouvir e discriminar os sons. Espera-se, na escuta ativa, que o ouvinte seja capaz de assimilar o conteúdo compartilhado pelo interlocutor com interesse genuíno, fazendo com que se envolva na conversa, evitando distrações que impeçam o completo entendimento do que está sendo dito, gerando uma comunicação assertiva e com menor possibilidade de ruídos.


Um dos pilares do sucesso no mundo corporativo, a escuta ativa é essencial também no mundo infantil. Isso mesmo, escutar as crianças com atenção além de ensiná-las a fazer o mesmo desde pequenas, promove benefícios para o desenvolvimento de suas habilidades emocionais e sociais.


Em um mundo agitado e com tantas demandas, os pais podem não encontrar oportunidades para conversar atentamente com os filhos e, como vimos neste post do blog Afinando o Cérebro, para desenvolver a escuta ativa é necessário ter interesse no que o outro tem a dizer de forma empática. Colocar-se no lugar do interlocutor, tentar compreender sua perspectiva, permitindo que conclua sua fala para, na sequência, sinalizar que as informações foram assimiladas e compreendidas.


Trocando em miúdos, é preciso criar espaços em nossa rotina agitada para ouvir as crianças com atenção. Estar presente verdadeiramente com as crianças, ajudá-las a nomear as próprias emoções e validá-las promovendo um ambiente seguro para o seu desenvolvimento, estabelecendo assim uma relação de confiança entre pais e filhos.


A escuta ativa pressupõe se colocar no lugar do outro, escutar sem julgamentos e além de ajudar a criança a reconhecer os próprios sentimentos, compreender o que ela sente e não apenas o que diz. É um exercício para os pais, que demanda escutar tudo o que vem do seu filho, incluindo o choro, as birras, o silêncio e até mesmo os acessos de raiva.


O assunto vem ganhando tanto espaço que extrapola as relações familiares. Em março de 2022, diversos especialistas se reuniram no 8º Seminário Internacional do Marco Legal da Primeira Infância, promovido pela Frente Parlamentar Mista de Primeira Infância e Secretaria da Mulher, para discutir a importância da escuta ativa de crianças e adolescentes na elaboração de políticas públicas.


Mas como aplicar a escuta ativa no dia a dia com as crianças?


Selecionamos algumas dicas, para que você possa treinar aí na sua casa. Confira logo abaixo:


Escutar é diferente de perguntar


Crie espaços com atividades lúdicas para que seu filho possa se comunicar além das perguntas, muitas vezes as crianças respondem o que os pais querem ouvir e não necessariamente o que sentem.


Tenha tempo de qualidade com seu filho


Defina um momento do dia que será apenas de vocês, sem distratores como telas ou celulares. Volte toda a atenção para o seu filho, participe ativamente das brincadeiras e observe suas reações.


Ajude-o a nomear as emoções


Reconheça as próprias emoções para que seu filho possa reconhecer as dele. Que tal fazer um desenho do que estão sentido?


Demonstrar empatia e escuta no dia a dia


Além de estabelecer esse espaço com seu filho, demonstre no dia a dia a importância de escutar o outro nas interações com familiares e amigos, demonstrando interesse e empatia. As crianças também aprendem observando!


Tenha paciência


As crianças ainda não têm todas as habilidades desenvolvidas para a autorregulação, e podem reagir de forma exacerbada em determinados momentos. É importante que os pais assumam o papel de adultos da relação, reconhecendo as próprias emoções diante de uma birra, por exemplo, acolhendo e auxiliando a criança no entendimento da situação.


Explore livros e filmes


Esses recursos são aliados importantes pois são capazes de abrir um campo de diálogo, ajudando a criança a entender e identificar o que está sentindo, por meio de histórias vividas pelos personagens.


Não há fórmula mágica para a educação e o caminho nem sempre é simples, mas apostar na escuta ativa desde a infância promoverá a empatia, permitirá à criança o entendimento dos próprios sentimentos e fortalecerá sua autoestima, promovendo assim um desenvolvimento adequado e saudável.



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